Harmonização e Preenchimento facial podem levar à perda da visão?

A harmonização facial e as técnicas de preenchimento usadas para procedimentos estéticos tem sido um assunto muito falado. No entanto, o que seria sonho de consumo de alguns pode ter como resultado alguns efeitos colaterais nada desejados, como a perda da visão, o que tem trazido certo pavor para aqueles que pensam em recorrer a esta técnica.

Nos últimos 5 anos, houve aumento expressivo da procura por estes procedimentos estéticos no Brasil. A busca por preenchimento facial quadruplicou no Brasil, passando de 72 mil para 276 mil ao ano, uma média de 31,5 procedimentos por hora.


Principais efeitos colaterais dos preenchimentos

Dr. Gustavo Issas, dentista especialista em implantodontia e procedimentos faciais, revela que estes procedimentos são minimamente invasivos, mas que também apresentam riscos: “a maioria dos procedimentos são realizados de forma segura e efetiva, com poucos ou nenhum efeito colateral. Mesmo assim, com o aumento da popularidade, também pode subir o número de complicações. A cegueira é uma complicação extremamente rara destes procedimentos, que foi mais notificada nos últimos anos. Casos analisados entre 1° de janeiro de 2014 e 31 de dezembro de 2016 mostraram que foram identificados 1.748 casos adversos devido ao preenchimento e nove processos. As complicações mais comuns foram: inchaço, infecção, presença de nódulo ou caroço e dor, sendo a mais incomum a perda da visão”.

Pesquisadores apontam que 43% dos casos de complicações decorrentes de preenchimentos faciais foram provenientes de injeções nas bochechas e 30% nos lábios. Casos como cegueira, foram associados a apenas 6 procedimentos, a maioria destes realizados no nariz, sem a necessidade de cirurgia. Uma pesquisa realizada em 2017, mostrou que apenas cerca de 50 casos de cegueira após injeções estéticas faciais foram relatados até hoje no mundo inteiro.

Para a pesquisa que relata reações adversas de preenchimentos faciais, foram analisados relatos disponíveis nos órgãos de Defesa do Consumidor, assim como dos serviços de atendimento ao cliente dos fabricantes e da FDA, agência americana que regula alimentos e medicamentos, entre 1° de janeiro de 2014 e 31 de dezembro de 2016, além de dados Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, para estimar o número total de injeções de preenchimento realizadas durante esse período, comparando com os registros judiciais relacionados a problemas com preenchimentos a partir da base de dados Westlaw Next Database.

Necrose da pele

O especialista aponta que o uso incorreto das agulhas para preenchimento também pode acarretar em efeitos colaterais indesejados como necrose da pele: “A necrose pode ocorrer por compressão ou lesão vascular. A asa nasal é a segunda área com maior risco de necrose por oclusão da artéria angular e também por apresentar circulação colateral restrita para suprir a isquemia. No sulco nasolabial pode ocorrer necrose cutânea por compressão dos vasos dérmicos, porém é mais rara. As duas principais causas dessa complicação são embolização ou compressão da artéria devidas à grande quantidade de produto injetado e, possivelmente, técnica intempestiva, além do uso de agulhas não apropriadas para a aplicação de preenchimento nesta região”.

O Dentista como profissional adequado para procedimentos faciais

Hoje, muitos dos profissionais que realizam preenchimento e harmonização facial são dentistas, que fizeram alguma especialização nesta área. O Dr. Gustavo Issas aponta o porquê dos dentistas serem habilitados para realizar estes procedimentos: “Temos um conhecimento com a delicadeza da boca, uso de anestésico tópico, enquanto outros profissionais não têm os objetos adequados, a delicadeza como nós dentistas. Estamos acostumados a avaliar a proporção da face, através dos traços e uma tabela numérica mostra o que está na posição correta, lidamos sempre com proporções e temos profundo conhecimento da anatomia orofacial”.

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