Dificuldade de concentração, desinteresse pelas aulas, rendimento escolar irregular.
Esses sinais geralmente acendem o alerta para um possível déficit de aprendizagem, no entanto, o que pouca gente sabe é que essas dificuldades também podem indicar superdotação.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 3% a 5% da população mundial é superdotada. No Brasil, o Censo Escolar de 2022 registrou 26.815 estudantes com diagnóstico de altas habilidades ou superdotação na educação básica, mas os números estão longe de refletir a realidade, muitos alunos superdotados ainda passam despercebidos no sistema educacional.
De acordo com a neuropsicóloga Dra. Karliny Uchôa, isso acontece porque a escola nem sempre está preparada para identificar ou lidar com as necessidades específicas desse grupo.
“O ritmo de assimilação de um superdotado pode ser muito diferente do restante da turma. Se não houver estímulo e adaptação adequados, o aluno se frustra, perde o interesse e começa a apresentar sinais que podem ser confundidos com desatenção ou dificuldades cognitivas”, explica.
Por que superdotados têm dificuldades na escola?
Crianças com altas habilidades costumam aprender com rapidez, têm curiosidade intensa, pensamento criativo e espírito questionador, esse combo em um ambiente escolar pouco desafiador ou com metodologias muito tradicionais, pode gerar alguns problemas, como:
Tédio e desmotivação;
Comportamentos considerados “indisciplinados”;
Ansiedade ou isolamento social;
Baixo rendimento em tarefas repetitivas;
Além disso, muitos professores não são capacitados para identificar sinais de superdotação ou não contam com recursos para adaptar o ensino.
“A falta de capacitação e estrutura prejudica o desenvolvimento pleno dessas crianças e, muitas vezes, elas são rotuladas de forma equivocada”, afirma a Dra. Karliny Uchôa.
A importância do diagnóstico profissional
Identificar corretamente a superdotação requer uma avaliação especializada, o processo pode incluir testes neuropsicológicos, análise de desempenho acadêmico, entrevistas com pais e professores e observação do comportamento da criança.
“É fundamental contar com um profissional capacitado para diferenciar superdotação de outras condições, como TDAH ou transtornos de aprendizagem, que podem estar em paralelo à superdotação, em casos de dupla excepcionalidade”.
“O diagnóstico precoce faz toda a diferença no desenvolvimento e no bem-estar da criança dentro e fora da escola”, destaca a especialista.